Tímida e ao mesmo tempo segura, Taylor vai para o
primeiro dia de aula em sua escola nova. Enfrentando olhares preconceituosos,
coloca seu fone de ouvido tocando seu rock preferido e pensa "Por que se
dizem tão jovens e modernos se o preconceito ainda prevalece em seus
corações?". A professora chegando na sala a primeira coisa que faz é
apresentar Taylor: - Quero que conheçam a nova colega de vocês, Taylor. Todos
se entreolham "A NOVA colega? Mas não é um menino?", mas antes de
murmurarem qualquer coisa, param pra observar a situação: Taylor cochicha no
ouvido da professora algo inaudível aos demais e, após isso, a professora se
desculpa para com a turma: - Me desculpem, quis dizer O NOVO colega de vocês.
Isso causa uma confusão na cabeça dos alunos, mas estes não se permitem a
perguntar ou entender a situação, voltam a mexer em seus aparelhos eletrônicos
e a mergulhar na ignorância. Taylor, contudo, mostra-se mais à vontade e segue
em direção ao fundo da sala, onde senta perto de uma garota muito bela e delicada,
a qual chama muito sua atenção. No término do período, início do intervalo,
Taylor observa a tal garota e para sua surpresa ela vem ao seu encontro. - Olá!
Sou Laura! Posso sentar-me aqui? E antes mesmo de Taylor responder, Laura
senta-se ao seu lado com um leve sorriso. - Eu sei quem você realmente é.
Taylor estremece "Por que ela está falando isso?". E antes de
questioná-la, Laura prossegue: - Não precisa te apavorar. Eu sei que você é uma
menina, mas não vim aqui para julgá-la, apenas quero ser sua amiga. E trocando
sorrisos deram início a uma empolgante conversa. Laura lhe contou de como é a
vida na escola e Taylor relatou como é viver em uma sociedade tão
preconceituosa e intolerante, onde jovens não podem decidis que roupas vão
usar, que estilos vão gostar e/ou quem vão amar, sem serem descriminados. No
final do intervalo dirigiram-se para a sala de aula e quando finalmente
entenderam o que se passava ali, recuaram. A turma toda já sabia do segredinho
de Taylor, e pelo jeito, a escola inteira também. Mas quem teria contado? Laura
não havia saído um minuto do seu lado. Foi só quando a professora chegou que
Taylor e Laura puderam entender o ocorrido. Um aluno estava na sala da direção
quando, na hora do intervalo, viu a professora se dirigir ao diretor: - Mas
diretor, é uma menina e deve agir como tal. E além do mais, que estilo é
aquele? Só pode ser satânica pra andar daquele jeito. Ela tem que agir igual
gente. - Senhora Parn, ela é gente, e ainda por cima jovem. Ela tem todo
direito de se expressar, agir e pensar da maneira que quiser. - Mas eu ainda
acho que isso está errado. Foi aí que a notícia se espalhou. Agora diante
daquela confusão toda, Taylor se enfurece: - CHEGA!!!! Todos se entreolham, e
antes, as bocas que a julgavam, agora calam-se. - Olhem para vocês. Viram?
Vocês são um bando de ignorantes! Pensam que são melhores que os outros, mas
não é assim que a vida funciona. Se eu quiser andar como rockeira, eu ando, se
eu quiser me vestir igual menino, eu me visto, e se eu quiser gostar de pessoas
do mesmo sexo que eu, eu gosto. Estamos em um país livre, apesar de toda
descriminação que existe, ainda é um país livre. - Mas aqui é uma escola.-
interrompe a professora. - Por isso mesmo.- continua Taylor - ... É um lugar
para construirmos nossa identidade e não a destruirmos. Você, professora,
deveria se envergonhar de tal pensamento. Os tempos mudaram, as pessoas mudaram
e, principalmente, os jovens mudaram, e a senhora deverá ir se acostumando,
pois os jovens de hoje serão os adultos de amanhã. Tudo é uma questão de tempo.
Os alunos já se exaltavam e naquele momento uma grande discussão se formara.
Foram vinte minutos de tamanho alvoroço, e não iria parar se não fosse o
diretor chegar tomando controle da situação. Mas foi uma simples frase que causou
total silêncio: - Taylor, seu pai ligou, disse que como ele terá que viajar por
um tempo e logo após ficará envolvido com a eleição, você não poderá ficar na
escola. Ele está a caminho para lhe buscar. Para surpresa de todos, Taylor era
filha do prefeito da cidade e, por isso, havia mudado de escola, coisa que
faria mais uma vez. Ao sair da sala, Taylor dá um abraço em Laura e fala aos
demais: - Apenas tenho pena de vocês por deixarem-se cegar por orgulho e
preconceito que não levarão à nada. E entrando no carro pensa "No final de
tudo, até que o dia valeu a pena, conheci Laura." E dando um grande
sorriso guarda o numero de telefone de Laura e coloca seu fone de ouvido
mergulhando no seu mundo, no qual ninguém pode descriminá-la.
-Lígia Santana
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